Hoje escrevo com prazer,não é que não o sinta quando escrevo sobre outros assuntos,mas neste dia,nesta hora,é especial.Quando,há dias atrás,"pari" este blogue,estava ( possivelmente ainda estou ) numa fase,digamos,talvez depressiva.Escrevia e comentava,num blogue colectivo,um blogue de camaradas de guerra na Guiné,onde ao longo de vários anos,vários escritos,fiz uma catarse,expulsei fantasmas que me povoavam a mente.Foi muito bom para mim,confesso,e sei que tenho lá excelentes amigos e camaradas.Infelicidade,ou felicidade minha,tenho o coração ao pé da boca,ou dizendo melhor,tratando-se de um blogue,ao pé dos dedos.Aconteceu,um determinado post,levou-me a escrever um comentário violento,insultuoso,e devido a isso o meu comentário foi eleminado,fui,ainda o penso,censurado.Como assino tudo o que escrevo,senti-me "lixado",fodido utilizando um português vernáculo.Partindo dessa situação,desconfortável,apareceu este incipiente blogue,que era para se chamar
de l' audace,mas devido a uma nabice,minha,quando do registo,passou a ser
encore de l'audace,mantendo-se o contexto.Voltarei aquele a que estava fortemente ligado ? Não sei.
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Após a longa introdução,regresso ao dia de hoje.Um dia de amizade e camaradagem.Gosto,apesar dos 63 anos,de actividades ditas de radicais,várias são,não vou, agora aqui enumerá-las.Neste dia,foi uma caminhada,melhor,mais escalada que caminhada,na Ribeira das Quelhas,situada em Coentral,no concelho de Castanheira de Pêra.Dizia-me um folheto,extraído da net,que o grau de dificuldade era de elevado a muito elevado,e aconselhável a maiores de 15 anos e até cerca 50,dependend condição condição física.Atendendo ao meu excesso de 13 anos,o desafio era grande.
Este não era,nem nunca deve ser,um percurso para se fazer sózinho.Como habitualmente,fui com a minha amiga Rosário,minha camarada,um termo mais adequado,os meus camaradas,ex-combatentes,perceberão por que lhe chamo assim,porque é um facto,na alta montanha,onde há perigos,ela é o meu apoio,não tenho outro.Tem 32 anos,e o que nos une é só,apenas,amizade e camaradagem,por muito estranho que isso possa parecer a algumas mentes.
Iniciámos o percurso a 720 metros de altitude,não há qualquer marcação humana de trilhos,depois desce-se
aos 300,subindo,na parte final, aos 950 metros.Nas subidas e descidas,por baixo de carrascos,pelo eio de matos,carvalhos-alvarinhos,azevinhos e azinheiras,estas duas últimas espécies já na parte mais elevada.Procurámos seguir os trilhos das cabras,assinalados pelos respectivos dejectos,quando estes não apareciam,havia que progredir,mais para a direita,mais para a esquerda,ou em frente.Há uma fraga saliente difícil de passar,por precaução levava dois arneses e corda,mas não foram necessários,apoiando bem os pés,e agarrando bem os rebordos da fraga com as mãos,passou-se bem,em segurança.Ferimentos,só os provocados por espinhos nas pernas e braços,mas estes riscos desaparecem sem pintura e polimento.O esforço é grande,mas é recompensador,a paisagem e a vegetação,única,são admiráveis.
No regresso parámos,para um mergulho relaxante,na praia fluvial de Castanheira de Pera,Praia das Rocas,ainda calçados com as botas de montanha,e o jovem que estava na entrada,ficou deveras surpreendido,por nos termos aventurado a subir a Ribeira das Quelhas,sózinhos,sem guia.Apercebemo-nos que ele,apesar de ser de lá,não conhecia bem aquele belo recanto do seu concelho.