Este vídeo e a canção Katyusha, vêm no seguimento de um pequeno diferendo, em que fui envolvido noutro blogue, www.blogueforanadaevaotres.blogspot.com, P 9337, onde se fala de uma outra Katyusha. Esta não canta...mata!!!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
SAUDADE
Há duas ou três horas atrás, telefonou-me o meu amigo António, e achou que estava nostálgico...devo estar,acredito!!!
Daí a postagem deste vídeo
Daí a postagem deste vídeo
06/01
Há precisamente quarenta ( 40) anos, vinte e quatro (24) anos após ter posto os pés na Terra (terá sido num berço), quinze (15) anos antes do nascimento da minha filha, dois (2) anos passados depois da minha entrada na EPI, em Mafra, encontrava-me no Saltinho, Guiné.
Há poucos dias, tivera início o 1972, Ano Olímpico, e haveria de regressar lá para meio do 2º semestre.
Naquele 06/01, uma 5ª feira, logo pela manhã, comecei a pensar na Coluna Militar que, no dia seguinte, teria de apanhar para Galomaro. Teria de estar em Bambadinca no início da semana que se avizinhava, e aquele seria o meio de transporte a utilizar.
Sem estar nos planos, por volta do meio-dia apareceu um heli, já não me lembro do motivo, e como os pilotos, gostavam de lá almoçar, almoçaram. Durante o almoço, comemorativo, bem
regado, o piloto disse que ía para Bissau (aquela aeronave estava no Destacamento de Nova Lamego). Lancei a escada ao Clemente ( era o comandante da companhia a que eu estava adido) Oh Capitão, calhava-me bem uma ida a Bissau, apanho boleia no heli, e na 2ª feira hei-de arranjar um transporte para Bambadinca. O Clemente concordou. Muito bem comido, e melhor bebido, lá
tomei o caminho para Bambadinca (!?) via Bissau. Quatro dias na "civilização".
Mas a viagem "complicou-se". Saímos do Saltinho, e tomámos o rumo de Nova-Lamego ( o meio aéreo tinha de ser reabastecido), e chegados lá, apareceu um civil, sr. Camilo, que ao saber que era aniversariante, "rapou" de uma garrafa de wisky velho, e atestei mais uns copos ( os tripulantes, beberam sumos).
Horrível, a viagem de Nova-Lamego a Bissau, ía "enfrascado", e com o heli "a rapar"aconteceu: pela primeira vez, e única, enjoei...uma merda.
Jantei no "Solar dos Dez" com o camarada Domingos da 26ª CC...quando saímos já era dia 7.
Hoje neste 06/01, "troquei" parabéns com a minha filha, Maria Luís, e fui andar de btt...como os "putos", subi passeios e desci escadas...estou bem!!!
Há poucos dias, tivera início o 1972, Ano Olímpico, e haveria de regressar lá para meio do 2º semestre.
Naquele 06/01, uma 5ª feira, logo pela manhã, comecei a pensar na Coluna Militar que, no dia seguinte, teria de apanhar para Galomaro. Teria de estar em Bambadinca no início da semana que se avizinhava, e aquele seria o meio de transporte a utilizar.
Sem estar nos planos, por volta do meio-dia apareceu um heli, já não me lembro do motivo, e como os pilotos, gostavam de lá almoçar, almoçaram. Durante o almoço, comemorativo, bem
regado, o piloto disse que ía para Bissau (aquela aeronave estava no Destacamento de Nova Lamego). Lancei a escada ao Clemente ( era o comandante da companhia a que eu estava adido) Oh Capitão, calhava-me bem uma ida a Bissau, apanho boleia no heli, e na 2ª feira hei-de arranjar um transporte para Bambadinca. O Clemente concordou. Muito bem comido, e melhor bebido, lá
tomei o caminho para Bambadinca (!?) via Bissau. Quatro dias na "civilização".
Mas a viagem "complicou-se". Saímos do Saltinho, e tomámos o rumo de Nova-Lamego ( o meio aéreo tinha de ser reabastecido), e chegados lá, apareceu um civil, sr. Camilo, que ao saber que era aniversariante, "rapou" de uma garrafa de wisky velho, e atestei mais uns copos ( os tripulantes, beberam sumos).
Horrível, a viagem de Nova-Lamego a Bissau, ía "enfrascado", e com o heli "a rapar"aconteceu: pela primeira vez, e única, enjoei...uma merda.
Jantei no "Solar dos Dez" com o camarada Domingos da 26ª CC...quando saímos já era dia 7.
Hoje neste 06/01, "troquei" parabéns com a minha filha, Maria Luís, e fui andar de btt...como os "putos", subi passeios e desci escadas...estou bem!!!
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
NÃO IMAGINAVA
Ontem, 04-01-2012,fui assistir,no Teatro Aveirense, a um concerto da Orquestra Filarmonia das Beiras,chamado de Concerto de Ano Novo e Reis.
A primeira parte foi preenchida com a actuação da dita orquestra.
Na segunda parte,além daquela,havia um convidado: Vitorino, o cantor do Redondo,que após ter cantado, duas ou três canções,disse ir cantar traz um amigo também do Zeca Afonso,mas antes chama um amigo e convidado,dele, ao palco para o acompanhar.Quem era?
Este mesmo, Dr. Carlos Tavares, presidente da CMVM,ex-ministro da Economia!!!
E cantou muito bem em dueto com o Vitorino, acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras.
Valeu a pena ter ido ao Aveirense
A primeira parte foi preenchida com a actuação da dita orquestra.
Na segunda parte,além daquela,havia um convidado: Vitorino, o cantor do Redondo,que após ter cantado, duas ou três canções,disse ir cantar traz um amigo também do Zeca Afonso,mas antes chama um amigo e convidado,dele, ao palco para o acompanhar.Quem era?
Este mesmo, Dr. Carlos Tavares, presidente da CMVM,ex-ministro da Economia!!!
E cantou muito bem em dueto com o Vitorino, acompanhados pela Orquestra Filarmonia das Beiras.
Valeu a pena ter ido ao Aveirense
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
POEMA DE RAIVA CORAGEM E ESPERANÇA
De um blogue,que muito me diz, www.blogueforanadaevaotres.blogspot.com transcrevo o poema abaixo,com a devida vénia ao autor,o camarada Luís Graça.
É um belo poema...está lá tudo...era assim na Guiné, quando dos nossos vinte e poucos anos.
Cavalgam caudalosos os rios
Pela terra adentro,
Enquanto fluem ruidosos
Os dias da guerra.
Rios que não são rios
Mas rias,
Entranhas ubérrimas
Fustigadas pelo vento,
Rias baixas pela manhã,
Pedaços,braços de mar,
Restos de tsunamis,
Pontas de fuzis,
Palavras acérrimas,
Imprecações ao Grande Irã,
Picadas minadas
De ir e não mais voltar.
Dias que não são dias,
Circadianos,
Mas fragmentos,
Ora ledos ora amargos enganos,
Estilhaços de tempo,
Riscos nas paredes sujas dos bunkers,
Repentinas emboscadas,
Breves finais de tarde,
Instantes,
Flagelaçôes,
Balas tracejantes
Sob o céu verde e vermelho
Enquanto o capim arde.
Narciso,revejo-me ao espelho,
Quebrado,
Vou nu,
De camuflado,
De azul,
Celestial,
Ao encontro da morte
Em Jugudul.
E não há estrelas
À noite.
Mas a bússola indica o norte,
Sideral,
Nunca o sul,
Nunca o nascer nem o morrer.
Dies irae, dies illa,
Dia de ira,aquele,
Em que subiste o cadafalso do Niassa,
Ou do Uíge ou do Ana Mafalda,
Dias de ira,aqueles,
Os da guerra!
Calai-vos
Rápidos do Saltinho,
Rápidos de Cusselinta,
Vós mais não sois
Do que canoas loucas,
Desenfreadas,
Levadas pelo macaréu da nossa raiva,
Entre o Geba e o Corubal.
Braços que não são braços,
Amputados,
Mas apenas tatuagens,
Traços,
Letras de fado pungentes,
Pontes que são miragens,
Tentáculos,serpentes,
Lianas,cortadas pela catana,
A eito,
Pela floresta-galeria,
Inferno tropical,
Túneis,tarrafo,
Bolanhas,lalas,bissilões,
Curvas da morte do Cacheu ao Cumbijã,
Apocalípticos palmeirais,
Pontas de punhais
Cravada no peito,
Irãs acocorados
No alto dos poilões.
E depois o silêncio.
Impossível,
O silêncio das partituras,
Dos mapas dos argonautas,
Partículas,
Pausas,
Cartas de tiro
Com claves de sol,
Desidratação,
A ogiva do obus,
O medo da avestruz,
O roncar do helicanhão,
Gritos do djambé,
E do macaco-cão,
Gemidos de kora,
Espasmos de balafon,
Rajadas de kalash
Ecos do bombolom,
Bombas de fragmentação
Que correm no dorso dos cavalos
Desde o Futa Djalon
Não vou poder ouvir o silêncio do Cantanhez,
Nem quero ouvir o grito da morte
Outra vez
Luís Graça
É um belo poema...está lá tudo...era assim na Guiné, quando dos nossos vinte e poucos anos.
Cavalgam caudalosos os rios
Pela terra adentro,
Enquanto fluem ruidosos
Os dias da guerra.
Rios que não são rios
Mas rias,
Entranhas ubérrimas
Fustigadas pelo vento,
Rias baixas pela manhã,
Pedaços,braços de mar,
Restos de tsunamis,
Pontas de fuzis,
Palavras acérrimas,
Imprecações ao Grande Irã,
Picadas minadas
De ir e não mais voltar.
Dias que não são dias,
Circadianos,
Mas fragmentos,
Ora ledos ora amargos enganos,
Estilhaços de tempo,
Riscos nas paredes sujas dos bunkers,
Repentinas emboscadas,
Breves finais de tarde,
Instantes,
Flagelaçôes,
Balas tracejantes
Sob o céu verde e vermelho
Enquanto o capim arde.
Narciso,revejo-me ao espelho,
Quebrado,
Vou nu,
De camuflado,
De azul,
Celestial,
Ao encontro da morte
Em Jugudul.
E não há estrelas
À noite.
Mas a bússola indica o norte,
Sideral,
Nunca o sul,
Nunca o nascer nem o morrer.
Dies irae, dies illa,
Dia de ira,aquele,
Em que subiste o cadafalso do Niassa,
Ou do Uíge ou do Ana Mafalda,
Dias de ira,aqueles,
Os da guerra!
Calai-vos
Rápidos do Saltinho,
Rápidos de Cusselinta,
Vós mais não sois
Do que canoas loucas,
Desenfreadas,
Levadas pelo macaréu da nossa raiva,
Entre o Geba e o Corubal.
Braços que não são braços,
Amputados,
Mas apenas tatuagens,
Traços,
Letras de fado pungentes,
Pontes que são miragens,
Tentáculos,serpentes,
Lianas,cortadas pela catana,
A eito,
Pela floresta-galeria,
Inferno tropical,
Túneis,tarrafo,
Bolanhas,lalas,bissilões,
Curvas da morte do Cacheu ao Cumbijã,
Apocalípticos palmeirais,
Pontas de punhais
Cravada no peito,
Irãs acocorados
No alto dos poilões.
E depois o silêncio.
Impossível,
O silêncio das partituras,
Dos mapas dos argonautas,
Partículas,
Pausas,
Cartas de tiro
Com claves de sol,
Desidratação,
A ogiva do obus,
O medo da avestruz,
O roncar do helicanhão,
Gritos do djambé,
E do macaco-cão,
Gemidos de kora,
Espasmos de balafon,
Rajadas de kalash
Ecos do bombolom,
Bombas de fragmentação
Que correm no dorso dos cavalos
Desde o Futa Djalon
Não vou poder ouvir o silêncio do Cantanhez,
Nem quero ouvir o grito da morte
Outra vez
Luís Graça
Subscrever:
Mensagens (Atom)


